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Trump faz Brasil se voltar para o México


O governo brasileiro já vê a abertura de oportunidades comerciais diante do protecionismo da gestão Donald Trump. Forte parceiro comercial dos Estados Unidos, o México negociará com o Brasil daqui duas semanas a abertura de seu mercado às exportações brasileiras de soja e carnes bovina e suína. José Eduardo Calzada Rovirosa, secretário da Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento Rural, Pesca e Alimentação do México, virá ao Brasil para uma reunião no dia 20, afirmou ontem o ministro Blairo Maggi, em reunião do Conselho do Agronegócio da Fiesp.

Segundo Blairo, a aproximação do México reflete "as movimentações políticas de [Donald] Trump", que estão fazendo com que "vários países que não queriam ou não podiam negociar com o Brasil" venham negociar.

A reunião com Rovirosa vem sendo costurada desde o ano passado. Em dezembro, o secretário mexicano sinalizou que pretendia ampliar o comércio com o Brasil, sobretudo em grãos. Ele e Blairo encontraram¬se na época na COP 13 Biodiversidade, em Cancún. Na ocasião, Blairo pediu a Rovirosa a abertura do mercado mexicano à carne brasileira. Atualmente, o México importa apenas carne de frango do Brasil. No ano passado, o país importou 59 mil toneladas do produto nacional, a um custo de US$ 101 milhões.

Há um ano, o Brasil iniciou as negociações para obter certificado sanitário para a venda de carne suína ao México, segundo a Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA). Na semana passada, uma missão brasileira foi ao México negociar a abertura das exportações de carne suína processada. Em relação à carne bovina, não há em curso nenhum processo de certificação sanitária para o produto in natura, conforme a CNA.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o ex¬ministro da Agricultura Francisco Turra está otimista com as chances de abertura do mercado mexicano à carne suína brasileira, pleito antigo da indústria. "A abertura para aves veio por doença, e suínos virá por um equívoco de Trump", disse Turra, citando a abertura à carne de frango do Brasil, em 2013, em razão do surto de gripe aviária que atingiu o México.

De acordo com o dirigente, uma missão de importadores mexicanos também acompanhará Rovirosa na visita ao Brasil. Até então, o entrave para abertura do mercado mexicano era justamente a Secretaria de Agricultura do país. Os mexicanos alegam que o Brasil vacina o rebanho bovino contra a febre aftosa ¬ doença que também afeta suínos.

A tendência é que o México abra o mercado apenas para Santa Catarina, Estado livre de aftosa sem vacinação, conforme status conferido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Turra evitou estimar o potencial do mercado mexicano, mas destacou que o país importa mais de 1 milhão de toneladas de carne suína por ano. Essa demanda, disse, é abastecida quase exclusivamente pelos EUA. "A política de Trump no mínimo vai dividir os ovos em duas cestas", avaliou. O Brasil é o quarto maior exportador mundial de carne suína. Segundo Blairo Maggi, por dez anos o Brasil tentou ampliar o comércio com o México, mas "nunca houve vontade do país de criar condições para participar desse mercado".

Agora, é preciso celeridade, defendeu. "Não me iludo que Trump não possa se arranjar com o México", disse, durante o encontro na Fiesp. O ministro também disse que, em sua recente viagem à União Europeia, encontrou¬se com representantes dos países que mostraram receios com a agenda de Trump. "Isso é oportunidade para o Brasil. Tenho certeza que oportunidades vão surgir". (Veja mais em http://bit.ly/2lfcOFX)

Fonte: Valor Econômico

 

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